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quarta-feira, 10 de junho de 2009

Os jovens do seculo XXI - Análise Sociologica

Os jovens do seculo XXI - Análise Sociologica

O que se espera dos jovens enquanto cidadãos mudou ao longo dos tempos. Durante a ditadura do Estado Novo a educação regia-se pelo conceito de um bom cidadão. Não se esperava dos jovens mais do que uma acção conformada com a hierarquia social estabelecida, de obediência e subserviência. Não é demais lembrar dos movimentos anti-ditadura que se geraram sobretudo entre os jovens universitários, tendo alguns destes jovens enveredado pela carreira politica após o 25 de Abril. No periodo pós 25 de Abril a educação generalizou-se no seu papel de incluir todos os jovens independentemente da sua origem social num curriculo que valorizou sobretudo o cidadão activo e competente, focando-se o objectivo da formação pessoal e social dos alunos. No ultimos anos, sobretudo por volta do fim do seculo XX e inicio do seculo XXI, valoriza-se a formação da cidadania, tendo-se como objectivo a formação civica procurando incutir os valores da tolerância e partilha, da solidariedade, numa sociedade que está muito voltada para o individualismo e consumismo.
Mas que importância tem a escola para os jovens do seculo XXI? Verifica-se que a escola assume para eles sobretudo (97%) o valor da socialização. Portanto, há que entender a importância que a escola tem na formação de amizades. A funcionalidade e o realismo são conceitos vigentes da sua natureza social. Aquilo que funciona e é realista é o que conta para estes jovens que consideram que a escola lhes ensina conhecimentos importantes, e com isso se conformam. Consideram ainda que a ética do consumo exige que se trabalhe para ter dinheiro. Escola e emprego são as insitutições que mais reconhecem, são os seus valores. A familia é outra insituição que reconhecem como importante. E julgam a saida da casa familiar com a organização da sua vida futura conjugal, onde o amor é o mais importante neste cenário, sendo o divórcio aceitável quando deixa de existir amor. O seu conformismo não lhes permite efectuar grandes mudanças no papel de Homem e Mulher na sociedade, sobretudo na distribuição das tarefas domesticas e acesso ao trabalho. No que diz respeito á sexualidade, verifica-se que a iniciação sexual é cada vez mais precoce e tem lugar com amigos ou namorados, sendo entre os seus pares onde encontram apoio na sua educação sexual, tendo papel menor a escola e a familia.
É curioso verificar que estes jovens do seculo XXI tenham um grande distanciamento face á politica e associativismo, embora o associativismo recreativo assuma uma proporção um pouco maior. Quando a escola e a sociedade quer fomentar estes valores, eis que os jovens parecem não dar-lhe importância. Mas se a propria sociedade adulta rejeita estes valores é dificil fomentá-los nos jovens. O individualismo e o consumismo são mesmo os grandes valores actuais. Embora haja uma pequenissima percentagem de individuos a lutar por grandes causas.
Há de resto uma pequena percentagem de jovens que escapam a este quadro social já traçado. São os que seguem as vias da marginalidade, os que optam pelas drogas, como evasão, o fenomeno da gravidez na adolescencia, como fruto de falta de informação ou simplesmente falta de adesão ás regras de uma sexualidade segura, ou comportamentos agressivos e violentos que podem surgir em raves ou em simples graffites.
Sem fazer julgamentos, pode-se concluir que os jovens de hoje são mais realistas no que diz respeito á sua posição enquanto cidadãos, assumindo um papel mais conformista nas suas aspirações relativas ao acesso ao mercado de trabalho, considerando a escola sobretudo como fonte dos afectos, e tendo um afastamento em relação ás grandes questões como a politica e a cidadania. São sobretudo consumistas e individualistas, e dir-se-á que lhes falta um pouco de sonho na sua aspiração em relação ao futuro. Mas ao valorizarem tanto as relações sociais com a sua rede de amizades que encontram na escola, e o amor nas suas relações amorosas, pode-se dizer que são jovens cheios de afecto em função do qual regulam as suas vidas, e é como tal que devem ser entendidos.

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